Archive for Novembro 2013

Opinião: Tríptico

Tríptico by 
Karin Slaughter


Título: Tríptico
Autor: Karin Slaughter

Págs: 448

Editora:
TopSeller

Género: Thriller
/Policial
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Sinopse:

Três pessoas com segredos perturbadores.

Um assassino sem nada a perder.

Quando Michael Ormewood, detetive da Polícia de Atlanta, é chamado à cena de um homicídio num bairro social, depara-se com uma das mortes mais brutais de toda a sua carreira: o corpo de Aleesha Monroe jaz nas escadas de um prédio, numa poça formada pelo seu próprio sangue e horrivelmente mutilado.

Enquanto incidente isolado, este já seria um crime chocante. Mas quando se torna evidente que é apenas o mais recente de uma série de ataques violentos, o Georgia Bureau of Investigation é chamado a intervir — e Michael vê-se obrigado a trabalhar com o agente especial Will Trent, com quem antipatiza de imediato.

Vinte e quatro horas mais tarde, a violência a que Michael assiste todos os dias explode nas traseiras da sua própria casa. Percebe-se, então, que talvez o mistério da morte de Aleesha Monroe esteja indissoluvelmente ligado a um passado que se recusa a ficar esquecido.


Opinião:


Brilhante e viciante



«tríptico - substantivo masculino
1. Quadro sobre três panos, dois dos quais se dobram sobre o do meio.(...)»

"tríptico", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa


Soberbo ... uma só palavra que diz tanto deste livro.



Nos livros que li da autora, repara-se numa tendência para os mesmos versarem sobre violência sobre mulheres, e ao que tenho percebido das entrevistas que vi é de facto uma opção dos seus livros. 

O livro é contado sobre três pontos de vista, que se complementam e se encaixam na perfeição, proporcionando-nos um sentido mais lato da história. Karin Slaughter junta neste livro violência, prostituição, drogas, infidelidade, violação entre outros, argumentos mais que suficientes para atrair os amantes de policiais (como eu). 

Este livro demorou 3 anos para ver a luz, a sua construção, as personagens denotam um trabalho magnífico. De facto sou dos que julgam que as coisas mais belas, são por norma as que se revestem de simplicidade, uma vez que permitem uma absorção e compreensão natural e espontânea ... mas não esqueçamos que este nível não está acessível a todos e dá muito trabalho... 

Gosto da forma como o enredo se encadeia, como se estabelece numa linha coerente e apelativa e esta dá substancia a uma escrita simples, clara, concisa e cativante. A narrativa evolui, e sem atropelos mostra-nos que o aparente e as convicções que criamos nem sempre são as mais correctas. 

A construção das personagens materializa muito bem toda uma série de características credíveis, desde o conflito interno, até ao "backstory". Desde a ingenuidade, a subserviência natural de John à arrogância e violência de Michael Ormewood os detalhes são explícitos e marcantes. 

Não preciso realçar o talento que Karin Slaughter tem, é universalmente conhecido e apreciado, mas não posso deixar de sublinhar que este talento tem luz própria. 

Para mim revelou-se uma leitura compulsiva e que me deu muito prazer. 

Sei que 2014 nos trará um novo livro da autora, resta-me esperar que esta aposta da Editora Topseller perdure e nos possa continuar a oferecer livros de grande qualidade como até aqui.

Era de facto um crime os leitores portugueses não verem os livros da autora publicados em português.

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Infravermelho









Título: Infravermelho
Autor: Nancy Huston
Tradutor: Luísa Feijó
Págs: 296
Editora: Sextante Editora

«Este livro é uma joia de plenitude feminina, corpo, espírito e alma, no amor dos homens. Um livro que fica.»  Véronique Poirson




O livro

Rena Greenblatt tem quarenta e cinco anos. É artista, repórter e fotógrafa especialista em infravermelho, fotografa à noite, os corpos e os seus abraços. 

Numa semana de férias na Toscana com o seu envelhecido pai Simon e a sua madrasta Ingrid, esperam-na as paisagens e as obras de arte mas também uma avalanche de memórias: os sonhos, os ressentimentos e as alegrias do seu passado e do seu presente, os quatro maridos, os dois filhos, os mil amantes, as belezas e os horrores dos países visitados, uma infância maravilhosa e uma adolescência roubada. Memórias que Rena comparte com Subra, seu alter-ego, sua amiga inventada, sua consciência.

O autor

Nancy Huston nasceu no Canadá em 1953 e vive em Paris. A sua carreira de romancista começa com Les Variations Goldberg, em 1981. 

Os seus romances posteriores constroem uma carreira com grande reconhecimento internacional, tendo recebido em 2006 o Prémio Femina com a obra Ligne de failles.

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O blog está a ler ...


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Opinião: O Boneco de Neve

 


O Boneco de Neve by 
Jo Nesbo


Título: O Boneco de Neve
Autor: Jo Nesbo

Págs: 472

Editora:
Dom Quixote

Género: Thriller
/Policial
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Sinopse:

Noite escura. Lá fora começa a nevar. A primeira neve do ano. 

No conforto da sua casa, Jonas acorda a meio da noite, chama pela mãe, mas o único rasto que encontra são as pegadas húmidas no chão das escadas. No jardim, a mesma figura solitária que vira durante o dia: o boneco de neve, agora banhado pelo luar, com os olhos negros fixos na janela do quarto. E no pescoço um agasalho: o cachecol cor de rosa que oferecera à mãe. Encarregado da investigação, o Inspetor Harry Hole está convencido de que existe uma ligação entre o estranho desaparecimento da mãe de Jonas e uma carta ameaçadora que recebeu alguns meses antes. 

Quando Harry e a sua equipa começam a analisar antigos casos por resolver, descobrem que, ao longo dos anos, no primeiro dia em que nevou, desapareceu um número alarmante de mulheres, com uma característica comum: eram todas casadas com filhos. 

E quando se vê confrontado com outro caso com as mesmas características, as suspeitas de Harry confirmam-se: não passa de um mero peão num jogo mortífero. Pela frente tem o primeiro assassino em série da Noruega, um assassino tão inteligente, que quase o leva à loucura.


Opinião:

De Jo Nesbo não poderia esperar outra coisa se não um grande livro.

É o sétimo da série de Harry Hole, mas lê-se e desfruta-se perfeitamente sem necessidade de conhecer os antecessores.

Superou as minhas expectativas. O grau de violência trouxe uma dinâmica agradável à forma como o livro se desenvolve. E o trajecto do enredo foi esplendidamente desenvolvido.

Um thriller "frio", forte e deveras brilhante ...
Que pedir mais de um bom policial?

Harry Hole continua a ser uma personagem apaixonante, não convencional, que faz sentir a todos os que o rodeiam uma espécie de sentimentos contraditórios. Longe de se apresentar como um detective consensual, este personagem reflecte vida e credibilidade... Harry apresenta-nos uma tridimensionalidade desarmante.

A forma crua e não polida, como Harry mostra os sentimentos na sua vida pessoal, a sua hierarquia de prioridades, tal como os caminhos trilhados na procura do assassino (que nem sempre dão os resultados esperados) são detalhes únicos do cunho de Jo Nesbo que mostram venerabilidade e um realismo desconcertante.

A história é deliciosa, coesa e consistente. Imprevisível, complexa, com várias "reviravoltas" e com muito suspense.

Os avanços e recuos agarram o leitor, e de um momento para o outro encontramo-nos a procurar novas respostas e novas pistas para encontrar o culpado do crime.

Achei interessante, embora possa parecer uma contradição ..., o que não foi dito! Gostei como o autor deixou lacunas que nós próprios inconscientemente colmatamos com o nosso imaginário (exemplo: os crimes) e como assim somos obrigados a criar uma "cumplicidade psicológica"Foi um toque de génio!
em volta dos crimes, da sua construção e da violência imprimida.



É um livro que é servido para deixar o leitor agradavelmente satisfeito. Conseguiu-o comigo.


Para terem uma melhor percepção do ambiente não deixem de ver o booktrailer deste livro. (rever em baixo)

Gostava de elogiar as notas deixadas, pela sua qualidade e oportunidade. Sem sombra de dúvida conteúdos que enriquecem o livro não só pela oportunidade como pelo detalhe apresentado. Pessoalmente teria preferido que as notas se encontrassem em rodapé em vez de no final do livro, mas isso é uma questão de preferência pessoal.



A capa que ilustra o livro é, para mim, uma das melhores capas que o livro ganhou nos vários países em que foi publicado e tive a oportunidade de ver. Parabéns.


Mais um grande livro que este ano nos é oferecido. Obrigado Dom Quixote.
A não perder...



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