Archive for Junho 2016

A Partir de Uma História Verdadeira de Delphine De Vigan


Um «thriller diabolicamente perverso. Vertiginoso mise-en-abyme psicanalítico.»


A história é contada na primeira pessoa, com Delphine, a narradora, como uma das duas personagens. 

Todos os nomes são de pessoas reais: o da autora/narradora, o dos filhos, do namorado… 

A história é aparentemente autobiográfica e, no entanto, torna-se a certa altura um jogo de espelhos, em que é difícil discernir entre realidade e ficção. Nada previsível, cheio de surpresas, com um suspense crescente (chega a ser atemorizante), mantém o leitor literalmente agarrado até ao fim(*). 

Delphine crê que a sua incapacidade de escrever terá coincidido com a entrada de L. na sua vida. L. é a mulher perfeita que Delphine gostaria de ser: muito bonita, impecavelmente cuidada, de uma grande sofisticação e inteligência. L. está também ligada à escrita - é escritora-fantasma. L. insinua-se lenta mas inexoravelmente na vida de Delphine: lê-lhe os pensamentos, adivinha-lhe os desejos e necessidades, termina-lhe as frases, torna-se totalmente indispensável - é a amiga ideal. 

Mas, aos poucos, sabemos que ela conseguiu isolar Delphine (afastando toda a gente), que lhe lê os diários, a correspondência, que se faz passar por ela! E quer demover Delphine de escrever o livro que esta está a preparar, obrigando-a a escrever a obra que ela (L.) quer: Introduz-se, assim, na vida da amiga de forma insidiosa, permanente, por fim violenta, controlando tudo. 

É aqui que há um volte-face na intriga - até aí muito perto do real - e uma possibilidade autobiográfica. O fim é maravilhosamente surpreendente.


 
Vive em Paris. Aplaudida pela crítica e consagrada pelo grande público, é autora de vários romances, entre os quais Nô e Eu, que venceu o Prémio dos Livreiros em 2008. Traduzido em mais de 25 países e adaptado ao cinema em 2010, ultrapassou, só em França, a marca dos 750 000 exemplares, sendo um dos romances mais lidos dos últimos anos. Com Rien ne s’oppose à la nuit, o seu último livro, Delphine de Vigan conquistou o prestigiado Prémio Romance Fnac, em 2011. Nô e Eu é o seu primeiro livro traduzido em Portugal.

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Opinião: Na Escuridão de Faye Kellerman (com QP)



 

«Dizem que os mortos não falam, mas, se escutarmos atentamente, claro que os ouvimos falar.»

Enquanto inspetor-coordenador de homicídios no Departamento de Polícia de Los Angeles, Peter Decker não recebia muitas chamadas de serviço às três da manhã, a menos que o caso fosse muito grave ou despertasse o interesse dos meios de comunicação ou ambos ao mesmo tempo. Alguém tinha entrado de noite no Coyote Ranch, o luxuoso rancho do construtor e bilionário Guy Kaffey, e tinha-o abatido a tiro, juntamente com a sua esposa e quatro seguranças privados.
 
Peter, os inspetores Scott Oliver e Marge Dunn e o resto da sua equipa de inspetores de homicídios não tardaram a perceber que aqueles truculentos assassinatos eram obra de alguém que pertencia ao círculo familiar. O caso tornou-se ainda mais intrigante quando descobriram que Kaffey tinha contribuído para ajudar organizações de reabilitação de delinquentes e que tinha chegado ao ponto de contratar alguns como guarda-costas. No entanto, tratava-se apenas de um roubo e um assassinato ou algo ainda mais arrevesado? Um construtor da dimensão de Kaffey não podia ter ganhado tantos milhões de dólares sem ter granjeado algumas inimizades pelo caminho.
 
Rina Lazarus, a esposa de Decker, não ia colaborar no caso por ter de fazer parte de um júri, mas então, um encontro fortuito com um intérprete do tribunal, que necessitava da sua ajuda, conduziu Rina à essência da questão que o seu marido estava a investigar, e colocou-a na pista de um gangue de assassinos implacáveis. Para proteger Rina, Decker tinha de encontrar a sua presa antes que a morte unisse os seus dois mundos.
 
Na escuridão é uma viagem vertiginosa pela paisagem urbana de Los Angeles, um thriller trepidante escrito por uma mestre formidável no seu ofício.





Peter Deck, inspector-coordenador de homicídios é acordado às 3h da manha: apesar da forte segurança, um magnata da construção foi assassinado junto com alguns membros da sua família. Gil Kaffey, um dos filhos, foi o único sobrevivente, que bastante combalido étransportado para o Hospital. Poderá ele explicar o que aconteceu?


No decorrer da investigação de Peter descobre que o magnata tinha como seguranças delinquentes que de alguma forma tinham relações com um perigoso gang chamado Bodega 12th Street. Seria essa a origem do ataque?


Rina Lazarus, mulher de Peter, no decorrer de um julgamento, em que faz parte do júri, obtém uma (suposta) informação valiosa de um intérprete cego que pode fazer a diferença na investigação do marido, e a pode colocar em perigo. 




É o primeiro livro de Faye que leio, e fico muito satisfeito. Tenho pena que não tenham (ainda) publicado os restantes livros da série, até porque o casal Peter e Rina, que nos apaixonam desde as primeiras páginas, mostram uma cumplicidade e simbiose que era interessante explorar desde a sua génese.


Este livro segue uma linha que muito me agrada: além da investigação do crime em causa, há todo um enfoque na vida pessoal de Peter e da Mulher, revestindo ambas as personagens com humanidade e de uma maior proximidade do leitor.


No meio de várias personagens, as que mais se destacaram, para mim, foram as personagens Peter e Rina, a sua dinâmica, a sua coerência, cumplicidade e sua “intimidade” invejáveis. 


Ambos são judeus ortodoxos, e aqui aparece mais um detalhe significativo e que marca o livro. As suas rotinas! As comidas, os eventos e a forma como ambos vivem a sua religião.


Peter, sobressaí pela forma como resolve os problemas. Uma personalidade que contraria o estilo pré-estabelecido da maioria dos investigadores, que tende para o sombrio, com passados marcados pela desgraça, e na sua maioria são muito autónomos e tendem a viver isolados da sociedade. Neste caso, do que pude perceber, Peter é o perfeito homem de família. 

Profissionalmente usa uma forma descontraída de se impor. Na sua vida pessoal, mostra um sentido protector desmesurado quanto à sua família. É um apaixonado pela comida.


Rina, é a mulher complacente, vive para cuidar do marido e filhos. Uma mulher experiente, companheira, apaixonada e com uma grande determinação. Do que pude perceber, este casal tem filhos de relações anteriores.


A escrita de Faye é simples e fluída.


Gostei muito do livro, anseio porque a HarperCollins nos permita conhecer o resto da obra da autora.


Deixo aqui um pdf com algumas das personagens, para possibilitar ter desde logo uma visão das mesmas e facilitar a incorporação das personagens.



Recomendo para este inicio de Verão.










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Fechada para o Inverno de Jorn Lier Horst




A densa névoa outonal paira sobre a costa norueguesa. Antes de a fechar para o inverno, Ove Bakkerud pretende desfrutar de um último fim de semana na sua casa de férias. No entanto, à chegada, depara-se com o caos após um assalto. E na casa vizinha um homem foi espancado até à morte…

O detetive William Wisting já viu homicídios grotescos no passado. Contudo, é a primeira vez que constata um desespero como o que, neste outono, testemunha em Stavern. Como se alguém tivesse tudo a ganhar e quase nada a perder. Por isso, não fica muito satisfeito quando a filha se muda para uma casa junto à boca do fiorde. A sua preocupação aumenta à medida que vão aparecendo cadáveres gravemente mutilados nos recifes. E do céu começam a cair pássaros mortos…


 
Jørn Lier Horst (nasceu a 27 Fevereiro de 1970, em Bamble, Telemark) é Norueguês.

Além de autor de policiais, é formador Senior na Vestfold Police district.

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