Archive for Agosto 2016

Opinião: Quero-te Morta de Peter James





 

Quando uma mulher conhece o atraente e charmoso Bryce Laurent através de um site de encontros, a atração é imediata.

Contudo, à medida que a ligação entre eles se torna mais intensa, a verdade sobre o passado de Bryce, e o seu lado mais negro, começam a emergir. Tudo o que contou sobre a sua vida revela-se uma teia de mentiras e, aos poucos, a paixão de Red Westwood converte-se em terror.
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Red Westwood está apaixonada, vê a possibilidade de alcançar a felicidade há tanto procurada depois de uma relação repleta de mentiras. Vê um auspicioso futuro ao lado de  Karl.

E se de um dia para o outro tudo desabar? Se o paraíso passar a inferno num piscar de olhos?


Uma escrita madura, consistente e apelativa.


O livro começa com o assassinato de Karl, evidênciando desde cedo o culpado, o que faz com que o leitor se foque no porquê?, na gestão emocional das personagens, tal como no sucesso ou insucesso das pretensões do assassino.

É a Roy, e à sua equipa que cabe a investigação deste crime horrendo.


Roy Grace, é um detective que após o desaparecimento da mulher, Sandy, e esta ser dada como morta, encontra-se a preparar o casamento com Cleo, a sua actual companheira. O que desconhece é que a sua mulher não morreu, podendo estar mais próxima do que nunca, e tomando conhecimento do casamento não parece muito disposta a facilitar a vida de Roy.


Aliás Sandy, ao que pude ler (sobre a série) é uma personagem envolta em mistério desde o início da série, cujo desaparecido não deixou muitas pistas. E ao longo dos livros, o autor, vai deixando pequenas pistas sobre a personagem.


Será este mistério que mantém a curiosidade dos fãs viva e que leva a que se teçam várias teorias? Consta-se que um leitor pediu para que o "segredo" de Sandy fosse acautelado e guardado num cofre, para não haver o risco de os leitores nunca virem a saber o que realmente aconteceu à personagem.




Bryce, é um homem carismático, narcisista, possessivo e inteligente. Alimenta diariamente uma obsessão pela sua ex namorada. A personagem é-nos apresentada no livro numa fase destrutiva, impiedosa e cruel. Essa instabilidade muito bem desenhada providencia muita tensão (como convém), e deixa o leitor em constante dúvida. Até onde irá Bryce? Será que voltará a apaixonar-se quando estiver frente a frente com o "objecto" de desejo?


No livro, os capítulos são curtos, peculiaridade usada por vários autores, e que ajudam a leitura a tornar-se fluída e apelativa. Este é o 10º livro da série #Roy Grace, mas que se lê bem como um livro independente, a história que narra, segundo o que a própria capa revela é baseada em factos reais.

Peculiaridades desta série (#Roy Grace), todos os títulos da série têm a palavra "dead" (morte numa tradução livre) no título. 


Facilmente percebo a razão do grande número de fãs de Peter James, aliás … acabou de ganhar mais um. :) Gostei e recomendo.


Vou alimentar a esperança de que a editora Clube do Autor possa continuar a publicar os livros de Peter James.

Gostava de deixar também uma nota especial de apreço ao autor, que muito simpaticamente acedeu a enviar uma mensagem aos seus leitores portugueses (mensagem já divulgada no blog e que se encontra nas fotos que acompanham este texto). Obrigado Peter James.

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Opinião: Deixei-te Ir de Clare Mackintosh





 


 Numa fração de segundos, um acidente trágico faz desabar o mundo de Jenna Gray, obrigando uma mãe a viver o seu pior pesadelo. Nada poderia ter feito para evitar esse acidente.
Ou poderia? Essa é a pergunta que a inquieta quando tenta deixar para trás tudo o que conhece, procurando um novo recomeço refugiada num chalé isolado na costade Gales.

Também o detetive Ray Stevens, responsável pela investigação por este caso que procura a verdade, começa a ser consumido pela sua entrega ao mesmo, deixando a vida pessoal e profissional à beira do precipício.
À medida que o detetive e a sua equipa vão juntando as pontas do mistério, Jenny, lentamente, permite-se vislumbrar uma luz de esperança no futuro, o que lhe dá alguma segurança, mas é o passado que está prestes a apanhá-la, e as consequências serão devastadoras




De um violento acidente resultou a morte de uma criança. 
Este facto alterou uma série de vidas entre outras, obviamente, a da mãe, a do culpado e inclusive a do investigador!

Deixei-te ir é o primeiro livro de Clare Mackintosh, e podemos dizer que começou com o pé direito.
Acresce dizer que a autora tem uma excelente bagagem profissional, tendo ela sido uma inspectora da policia pôde aproveitar e tirar proveito dessa experiência e vertê-la convenientemente no livro.

A sua escrita é fluída, estruturada e eloquente.

Estamos perante um thriller psicológico de alto nível, que vai crescendo e ganhando intensidade na segunda parte.

O livro é-nos apresentado na primeira pessoa por algumas personagens, na 1ª parte, Ray Stevens - o detetive inspetor, e Jenna Gray dividem as cenas. Mas é na segunda parte, quando o enredo fica mais intenso que a estas duas personagens se junta também Ian, e onde podemos apreciar a estupenda e verosímil caracterização de Ian.

Quanto ás personagens:
Para além da personagem principal, Jenna Gray, que foi brilhantemente esculpida. Com tridimensionalidade e coerência incontestáveis. Devo dizer que a personagem que mais me agradou foi Ian! Foi a força incoerente, errática e selvagem que lhe foi transmitida. A manipulação consciente que lhe dava um prazer desconcertante. A mistura entre o sentimento de posse, a imposição de dependência e a necessidade da subjugação quer física quer psicológica de Jenna. Acho que Clare captou uma imagem muito próxima da realidade de um abusador/dominador, e julgo que não erro se disser que foi uma das melhores caracterizações deste tipo de personagens. Acho que a perspectiva, muito genuína, na primeira pessoa, ajudou muito na criação deste efeito.

A única recomendação que faço, é que não leiam a sinopse! Porque uma das belezas desta narrativa está no jogo da descoberta e da incerteza dos papéis atribuídos a cada personagem. Na dúvida que é criada, nas conclusões que tiramos e que posteriormente são colocadas em causa.

Agradavelmente surpreso pela intensidade e caracterização que o livro transporta. Recomendo.

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